Um percurso
singular

Primórdios: O sociólogo francês Claude Lévi-Strauss foi um dos primeiros professores contratados pela USP, em 1935. Aqui ele aparece em visita ao Museu Nacional (RJ). | Identificados da esquerda para a direita: Claude Lévi-Strauss, Ruth Landes (Universidade de Columbia), Charles Walter Wagley (Universidade de Columbia), Heloísa Alberto Torres (Museu Nacional), Luís de Castro Faria (Museu Nacional), Raimundo Lopes da Cunha (Museu Nacional) e Edison Carneiro Acervo do Museu Nacional / UFRJ

A criação da FAPESP insere-se numa linha histórica do desenvolvimento da cultura científica no estado de São Paulo, iniciada em 1934 pela fundação da Universidade de São Paulo, a USP, como um ato político. A partir daí, estavam criadas as condições para o estado acompanhar o salto na produção científica internacional ocorrido depois da Segunda Guerra Mundial, estruturando na esfera pública um sistema que guarda características próprias em vários aspectos e que tem efeitos consideráveis sobre a sociedade, inclusive no âmbito das atividades econômicas privadas.

Assim, se está consolidado em torno das suas três grandes universidades estaduais, dos institutos tecnológicos e da própria FAPESP, o sistema paulista de ciência, tecnologia e inovação, observado em grande angular, necessariamente inclui hoje as universidades públicas federais implantadas no estado, as universidades confessionais e privadas voltadas também à pesquisa, o conjunto nada desprezível de empresas de todo porte que investem em pesquisa inova­tiva e mesmo organizações não governamentais dedicadas à geração de novas tecnologias sociais.

É certamente de singularidade no cenário nacional que se trata, ao se abordar a cultura científica paulista, com sua disponibilidade de recursos e aproveitamento desses recursos de forma organizada na unidade federativa mais rica do país. “A USP é uma espécie de alma mater do trabalho cientí­fico nas ciências humanas e na ciência em geral”, diz o cientista político Marco Aurélio Nogueira, professor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Univer­sidade Estadual Paulista (IPPRI-Unesp). “Dela nasceu o modelo de organização universitária que, com o tempo, foi se reconfigurando, ainda que com a preservação de alguns traços fundamentais, especialmente na organização do pessoal docente”, acrescenta.

Pioneirismo: A genética nasce como ciência no Brasil na década de 1940, sob a liderança do ucraniano Theodosius Dobzhansky e do brasileiro André Dreyfus (penúltimo da primeira fila, na imagem com a turma de História Natural da USP, 1943) | Identificados sentados, da esquerda para a direita: Reinaldo Saldanha da Gama, Ettore Onorato, Félix Rawitcher, Eveline Du Bois Reymond, Ernst Marcus, André Dreyfus e Paulo Sawaya. De pé, na fila do meio: José Camargo Mendes, Michel Pedro Sawaya, Rosina de Barros, técnica do laboratório de Marcus (nome não identificado), Gilda Correia, Mercedes Rachid, Raquel Melo Teixeira, Maria Helena Matoso, Diva Diniz Correia, Erasmo Garcia Mendes e Mário Guimarães Ferri. Na última fila: João Queiroz Marques, Crodowaldo Pavan, Ruy Ribeiro Franco, Domingos Valente, Alexandre Dias de Moraes e Nelson Barros
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Algum desejo deliberado de distinção pode, entretanto, ser flagrado no empreendimento, segundo alguns analistas. A USP nasceu como uma reação à perda de protagonismo político do estado de São Paulo à ascensão do getulismo e, para isso, contou com a participação de numerosos professores estrangeiros. Nesse aspecto, pode-se considerar que a cultura científica paulista nasceu, entre outros motivos, pelo desejo de recuperar terreno e prestígio, numa iniciativa encampada pela elite cultural — senão econômica — paulista.

“A cultura científica é, por natureza, universal ou aspira à universalidade”, diz Alcir Pécora, professor de literatura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Não faz sentido regionalizá-la. No entanto, a cultura científica de humanidades em São Paulo teve um viés provinciano por nascer como uma revanche contra a derrota de 1932 e, até recen­temente, foi balizada pelo tipo de historiografia iluminista-nacionalista produzida pelo modernismo paulista.” Tal viés, para Alcir, era evidente na busca por “formular razões de natureza elevada, ou espiritual, para o que era fundamentalmente uma disputa de poder”. E, segundo o professor, o projeto era provinciano também por outra razão: “Não enxergava o conjunto complexo do Brasil e não levava a sério a desigualdade social no âmbito do próprio estado de São Paulo”.

Foi reflexo da efervescência provocada pela criação da USP a previsão de uma agência de fomento à pesquisa na Constitui­ção Estadual de 1947; e uma prova das dificuldades em criá-la foi o fato de a fundação da FAPESP ter se dado apenas 15 anos depois. “Com a criação da FAPESP pouco a pouco foi ga­nhando corpo a formação de uma cultura científica, e criaram-se as condições para o financiamento de pesquisas e grupos de pesquisa”, diz Nogueira. “É evidente que a qualidade da pesquisa melhorou muito com essa situação. São Paulo tornou-se o carro-chefe da ciência no Brasil.”

O poeta italiano Giuseppe Ungaretti foi um de muitos estrangeiros trazidos para lecionar na USP na década de 1940
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À época da criação da Fundação, alguns grupos influentes de cientistas da USP já atraíam núcleos de pesquisadores em áreas importantes e um dos mais destacados reunia-se em torno de Samuel Pessôa, catedrático de parasitologia de 1931 a 1956 na Faculdade de Medicina. Entre seus pesquisadores mais jovens estava Erney Plessmann de Camargo, que refundaria a cadeira de Pessôa no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP em 1986, e adiante viria a ser pró-reitor de Pesquisa da USP, diretor do Instituto Butantan e presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 2003 e 2007. “O livro de Samuel Pessôa Endemias rurais tornou-se a bíblia da parasitologia, e originaram-se de seu departamento as propostas para combate a endemias adotadas pelo governo do estado e pelo Ministério da Saúde”, lembra Camargo. Junto com esse grupo da área biológica estavam alguns pesquisadores de outras áreas, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, futuro presidente da República, que deu uma contribuição fundamental para a implantação das ciências sociais na USP. Fernando Henrique destaca o empenho, nesse grupo inicial, do fisiologista Alberto Carvalho da Silva, que viria a ser presidente da Fundação entre 1984 e 1993.

Samuel Pessôa, pioneiro da parasitologia no Brasil, com sua mulher, Jovina
CAPH/FFLCH/USP

“Comecei minha carreira na USP em 1961”, conta Camargo. “Até então nossa única fonte de recursos era o almoxarifado da Faculdade de Medicina. Os recursos eram limitados e dependiam de um bom relacionamento com o almoxarife.” Essa precariedade, no entanto, estava em via de terminar. “Com a FAPESP tudo mudou, não de súbito, mas mudou. Ousei me antecipar a meus colegas mais velhos e competentes e logo submeti um projeto à FAPESP. Coisa pequena: um agitador mecânico para as culturas de tripanossomas, alguns poucos reagentes e uma pequena centrífuga. Fui atendido.” O golpe de 1964, porém, obrigou Camargo a exilar-se. Na volta, retomou imediatamente os contatos com a Fundação.

“Com o correr do tempo, pesquisadores paulistas passaram a desenvolver estudos em outras regiões do país. Posso testemunhar com nossa experiência em Rondônia, nos anos 1980, quando uma grande epidemia de malária se instalou em decorrência de uma migração maciça de lavradores do Sul e Sudeste para a ocupação de terras oferecidas pelo governo. Nessa ocasião, tivemos apoio total da FAPESP, do CNPq e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, conta Camargo.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial Compreendeu-se que a ciência é um componente-chave do desenvolvimento

“A FAPESP teve um papel fundamental no desenvolvimento da ciência brasileira”, afirma Fernando Henrique. Quando começou a carreira de pesquisador, ele pôde contar com alguns recursos obtidos por influência do sociólogo Florestan Fernandes, seu orientador, e do empresário Fernando Gasparian, interventor na Confederação Nacional da Indústria entre 1961 e 1962. “Esse tipo de apoio acontecia eventualmente. Com a FAPESP o fomento tornou-se regular: apresenta-se o projeto e pedem-se os recursos, explicando para o que é. Em troca, recebe-se uma orientação correta e científica.”

A sobrevivência da Fundação, “e com poder financeiro, é um ativo excepcional para o estado de São Paulo”, na visão do sociólogo Glauco Arbix, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, ex-presidente da Finep e do Instituto de Pesquisa Econômica Apli­cada (Ipea). No entanto, ele questiona o conceito de cultura cien­tífica, impossível de avaliar, em seu entendimento. “Em princípio, pode-se dizer que todo mundo é a favor da ciência. Mas estamos numa época em que as pessoas preferem acreditar nas informações do WhatsApp e encarar a ciência como uma questão de opinião”, diz.

Arbix observa que a cultura científica se institucionaliza em leis, normas e instituições e, com governantes ou visionários, constrói um aparato que dá forma a um sistema de inovação. Contudo, numa experiência relativamente recente, quando era presidente da Finep (2011-2015), Arbix pôde testemunhar a falta de prioridade conferida pelo empresariado brasileiro em relação à inovação, ideia percebida pelos agentes econômicos como algo fora da realidade brasileira, devido aos custos para empreender. “A maior parte do empresariado nunca deu importância para inovação ou ao peso devido entre ciência e tecnologia”, diz Arbix. “Hoje, a ideia de inovação se disseminou, o que não quer dizer que a inovação se disseminou. O Brasil é um país que inova pouco e tem uma economia de baixo desempenho.”

O pós-guerra

A ciência vive desde o fim da Segunda Guerra Mundial um momento distinto de toda a história anterior. Saiu dos gabinetes — não pela primeira vez, é verdade — para as prioridades dos governos e da economia. “Compreendeu-se que a ciência é um componente-chave do desenvolvimento e não poderia ser desenvolvida sem se integrar as instituições e as dotações orçamentárias a estratégias mais gerais”, descreve Arbix. “Não podia mais se orientar pelas diretrizes individuais dos pesquisadores ou de alguma empresa isolada que quisesse desenvolver um produto.” Foi um tempo em que a ciência era um elemento central da geopolítica mundial, o que se manifestou desde a bomba de Hiroshima até os aspectos encantadores da corrida espacial. Desse contexto nasceu, em 1950, a National Science Foundation (NSF), do governo dos Estados Unidos, principal agência de fomento à pesquisa do país — uma iniciativa inspiradora para a criação da FAPESP, com a qual hoje mantém projetos em parceria. Já o modelo da FAPESP inspirou a previsão de fundações de apoio à pesquisa na Constituição brasileira, promulgada em 1988.

É interessante notar, ademais, que iniciativas brasileiras tenham precedido esse movimento, como a criação, em 1948, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o que muitos atribuem a um desdobramento de atividades em defesa da ciência sediadas na USP. Seu primeiro presidente foi Jorge Americano, que havia sido reitor da universidade. “A SBPC continua tendo um papel fundamental no intercâmbio entre cientistas, que podem, em seus encontros, convergir na divergência ou divergir na convergência”, diz o escritor Marco Lucchesi, professor de literatura comparada da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atual presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Cientistas reunidos na primeira reunião anual da recém-criada SBPC, em Campinas, 1949
Acervo SBPC

“Neste momento, em que a ciência precisa fazer frente à necropolítica do governo federal, a dimensão da SBPC é ao mesmo tempo ética e política”, diz Lucchesi. Dessa forma, ela cumpre uma função democratizadora e elucidativa que já havia desempenhado durante o regime militar iniciado em 1964. Na reunião anual da SBPC em 2020, ao apresentar a palestra “Literatura e Ciência”, disse, explorando as relações entre poesia e matemática, que “a fronteira entre ciências humanas e ciências da natureza é porosa e pluricomunicante, numa dinâmica marcada pelo desejo de formar uma zona de consenso ou aliança epistêmica que tem sido fator determinante para uma perspectiva científica brasileira”. A SBPC realizou em 1949 sua primeira reunião, com grande número de cientistas brasileiros e convidados estrangeiros, o que se repetiu nos anos subsequentes até os dias atuais.

Posse da primeira diretoria da SBPC, na sede da Associação Paulista de Medicina, liderada por Jorge Americano e Maurício Rocha e Silva, em 1949. O físico José Reis (em pé) era o secretário-geral
Acervo SBPC

Em 1951 foi criado o CNPq, com o nome de Conselho Nacional de Pesquisa, como órgão de apoio à pesquisa científica, em moldes bastante semelhantes aos da NSF, diretamente baseada em termos conceituais e operacionais no relatório de Vannevar Bush, Science the endless frontier, ao presidente Franklin Delano Roosevelt em 1945. No mesmo ano foi constituída, no âmbito do Ministério da Educação e Cultura, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), destinada ao fomento da pesquisa e à avaliação dos cursos superiores.

“Nesse período o impacto econômico e social da ciência e da tecnologia chegou ao primeiro plano”, diz Arbix. “Aconteceu uma construção institucional para dar conta das várias dimensões ligadas à produção científica: universidades, instituições de fomento, institutos que definem métricas, corpos destinados a estabelecer marcos regulatórios, e isso chega aos legisladores. É a pré-história dos sistemas nacionais de inovação.”

Pioneiros: O paranaense César Lattes (esquerda) e os pernambucanos Mário Schenberg e José Leite Lopes em reunião no CNPq, 1958
Centro de Memória do CNPQ

Mas a quase incompreensão sobre a importância da pesquisa e da inovação permanece um grande empecilho à disseminação da cultura científica, em seu entendimento. “Muitos estados brasileiros ainda trabalham com a ideia de que ciência e tecnologia não são para eles, como se fossem uma espécie de luxo”, diz. “Há exceções, polos científicos em várias partes do Brasil. Mas falta uma visão disseminada dessa importância, basta olhar o descaso com que o Congresso Nacional, até certo ponto um retrato dessa miscelânea, trata a tecnologia.”

Já para Camargo, apenas uma parte pequena da comunidade empresarial dá importância à ciência, e seu interesse se limita à ciência aplicada. Quando presidiu o CNPq, ele criou um programa de Pós-Doutorado na Indústria pelo qual nenhuma empresa se interessou. “Fracasso total”, resume. “Em verdade, quem tem muita noção da importância da ciência para a sociedade é a elite intelectual, não a econômica”, conclui.

Divulgação

Não se pode, no entanto, desprezar as limitações ainda existentes no âmbito da divulgação científica para elevar o diálogo com a sociedade. “É notório que um bom pesquisador não quer dizer necessariamente um bom comunicador”, lembra Arbix, que entretanto vê uma mudança na penetração da ciência na sociedade, “para o bem e para o mal” (sendo o mal a balbúrdia das redes sociais). Surgem comunicadores da ciência, redes de conhecimento, veículos de divulgação, apesar do fenômeno do isolamento típico da comunidade científica — a ideia, não sem fundamento, de que a ciência fala numa linguagem própria, embora ela possa encontrar meios de se fazer entender.

Nesse aspecto, a FAPESP é mais uma vez uma referência, até mesmo indiretamente, ao prever entre seus princípios inaugurais a divulgação da ciência. “A atividade de divulgação não se limita à distribuição de conhecimento, mas ao esclarecimento do que a ciência pode fazer e muitas vezes não consegue dada a instabilidade das políticas governamentais, em especial do governo federal”, diz Arbix. Camargo percebe que, durante muito tempo, a divulgação científica se resumiu à publicação de livros didáticos, além de artigos científicos em revistas especializadas não acessíveis ao público em geral. O muro entre ciência e sociedade começou a ser derrubado pela SBPC quando, em 1948, lançou a revista Ciência e Cultura. “Com grande prazer registro que dois artigos meus publicados na revista nos anos 1970 e 1980 são até hoje citados regularmente em teses e muitos trabalhos científicos”, observa Camargo. “Em anos mais recentes, outros periódicos de divulgação passaram a ser publicados regularmente, entre eles a revista Pesquisa FAPESP e alguns outros criados por empresas com fins comerciais. Foram todos bem-vindos.”

Figura histórica: Anísio Teixeira (esquerda) foi um dos grandes responsáveis pela implantação do ensino superior público e gratuito no Brasil. Aqui, aparece como presidente da Capes, em visita ao CNPq, 1955
Centro de Memória / CNPq

Um episódio que consensualmente é considerado um exemplo de excelência foi o sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da praga do amarelinho, que ataca os laranjais, pesquisa que foi capa da revista Nature em 13 de julho de 2000. “Essa pesquisa colocou o Brasil num seleto clube de pouquíssimos países capazes de fazer a decodificação de um genoma”, diz Arbix (ver reportagem “A favor do conhecimento” no fascículo 1). Nos últimos anos, ele continua, “a FAPESP passou por uma inflexão ao começar a fortalecer alguns programas em cooperação com as empresas, o que é muito positivo”. Exemplifica com os Centros de Pesquisa em Engenharia e Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid).

Na urgência do momento atual, dominado pela pandemia da Covid-19, a compreensão do papel social da ciência ganhou proeminência. “Diante de um mal avassalador, a ciência oferece um grande contraponto”, diz Arbix, um dos coordenadores da Rede de Pesquisa Solidária, formada por professores da área de humanidades da USP com o objetivo de fornecer informação de qualidade sobre a pandemia para a melhoria de políticas públicas. “Num momento como esse, a ciência responde quando é chamada, tem apelo e consegue reunir cientistas jovens e dinâmicos espontaneamente.” A Rede de Pesquisa Solidária é multidisciplinar, tem apoio da iniciativa privada, promove pesquisas e encontros, fornece bolsas de estudo, criou conexões com os comitês de crise estaduais e com consultores internacionais. “Com isso a ciência sai fortalecida, mas vivemos um momento político mundial muito obscuro, em que sentimentos represados durante muito tempo estão sendo liberados por lideranças que viraram o cenário de ponta-cabeça”, conclui.