A “bobagem” de Oscar Sala foi um ato
fundador da internet no Brasil

Oscar Sala, 37a Reunião da SBPC, 1985: forte desejo de aprimorar o diálogo entre físicos paulistas e colegas estrangeiros Acervo SBPC

Uma das coisas que o físico ítalo-brasileiro Oscar Sala (1922-2010) mais desejava, no fim da década de 1980, era aprimorar o diálogo entre físicos paulistas e colegas dos Estados Unidos e da Europa. No período em que foi presidente do Conselho Superior da FAPESP, entre 1985 e 1995, buscou sensibilizar a comunidade científica do estado de São Paulo sobre a importância do uso das tecnologias de informação e comunicação para facilitar a troca de conhecimento. “No início acharam que era bobagem, mas fui lá e fiz”, disse Sala em depoimento concedido em 2006.

A “bobagem” à qual o professor emérito do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) se referiu foi ter chancelado a criação da Academic Network at São Paulo (ANSP), uma rede acadêmica lançada e mantida financeiramente pela FAPESP desde 1988. Construída para fornecer comunicação eletrônica entre as três universidades estaduais paulistas — USP, Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) —, a Rede ANSP rapidamente abriu caminho para a entrada da internet no Brasil.

O processo de informatização da FAPESP começou com a reformulação de seu Centro de Processamento de Dados (CPD), em funcionamento desde 1976, e a instalação de um Burroughs 1726, computador fabricado nos Estados Unidos com tecnologia de ponta para os padrões da época. O equipamento foi levado de caminhão aberto até o prédio atual da Fundação, no bairro da Lapa, a sede nova para onde ela fora transferida em 1977. “Havia risco de chuva naquele dia, mas por sorte o céu não despencou”, recorda o engenheiro Demi Getschko, que chefiou o CPD entre 1986 e 1996.

“A comunicação entre cientistas e o acesso a bases de dados via meios eletrônicos estavam se tornando comuns nos Estados Unidos e na Europa naquele momento, e o professor Sala estava atento a isso. Ele queria que os físicos da USP e demais pesquisadores de outras áreas pudessem fazer o mesmo aqui”, diz Getschko, atualmente diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Isso era possível graças à Bitnet, uma predecessora da internet, que havia começado a funcionar em 1981, fruto do trabalho de pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York e da Universidade Yale, ambas nos Estados Unidos. A conexão estabelecida pela Bitnet ocorria via linha telefô­nica “ponto a ponto”, dispensando discagem. Para isso, eram usados fios de cobre que passavam por cabos submarinos, já que a fibra óptica ainda não era uma realidade.

Encontro de usuários de Burroughs, Gramado, 1977: Alberto Gomide (esq.) e Demi Getschko; à direita, a física Liane Tarouco, autora do primeiro livro de redes de computador do Brasil
Acervo pessoal

De acordo com Getschko, a Bitnet possibilitava interligar grandes computadores, situados a quilômetros de distância uns dos outros. “Dessa forma, as pessoas podiam se comunicar por e-mail usando terminais com monitor e teclado, conectados àquelas máquinas maiores.” A equipe do CPD foi incumbida de criar uma rede para entrar na Bitnet. Getschko lembra que, em 1988, mais de 1.200 universidades e órgãos governamentais estavam interligados em dezenas de países.

A FAPESP não era a única entidade brasileira que tentava estabelecer conexão internacional via Bitnet. Em 1987, representantes de instituições como a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além da própria FAPESP, reuniram-se na Escola Politécnica (Poli) da USP para discutir como poderiam se vincular à Bitnet.

Predecessora da internet, a Bitnet mereceu reportagem da Veja em abril de 1989; “apenas” 12 horas para a FAPESP receber uma mensagem
Reprodução

A primeira instituição a conseguir conexão foi o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Rio de Janeiro, em setembro de 1988. Dois meses depois, em novembro, foi a vez da FAPESP. Diferentemente do LNCC, que se conectou à Bitnet mediante parceria com a Universidade de Maryland, a FAPESP firmou acordo com o Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), um dos laboratórios de física de partículas mais importantes do mundo, localizado nos Estados Unidos.

A Fundação solicitou que fossem conectados ao Fermilab cinco computadores terminais: três situados nas universi­dades estaduais paulistas, um no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e outro na sede da Fundação. “Fomos alertados pelos norte-americanos de que conectar esses cinco ‘nós’ à rede, todos provenientes do Brasil, seria o mesmo que vincular uma nova sub-rede à Bitnet”, observa Getschko.

O mais lógico, portanto, seria criar uma sub-rede regional. “Assim nasceu a Rede ANSP”, comenta Getschko, que foi encar­regado de coordenar a concepção dessa rede nacional em um grupo de trabalho dentro da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, à qual a FAPESP está vinculada. “A Fundação assumiu a responsabilidade de atuar como um nó em uma rede internacional”, escreveu a historiadora Marilda Nagamini, em capítulo do livro FAPESP 50 anos — meio século de ciência, organizado em 2015 pelo historiador da ciência Shozo Moto­yama (1940-2021).

A Rede ANSP foi oficialmente inaugurada em abril de 1988, com a presença do então governador Orestes Quércia (1938-2010) e do economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, à época secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo. Na ocasião, Quércia anunciou a publicação de um decreto liberando verba da secretaria para que a FAPESP adquirisse novos computadores.

A ossatura da rede paulista

Apoiada em linhas telefônicas, a base física da internet em São Paulo, em 1995, desdobrava-se por nós e terminais para alcançar o estado inteiro

Fonte: Notícias FAPESP

Importante ressaltar que, àquela altura, a formação da Rede ANSP não resultava de uma política pública volta­da ao assunto. A ideia de conectar universidades brasileiras à Bitnet — e posteriormente à internet — não foi orientada inicialmente por estratégias institucionais bem definidas, mas sim pelo desejo das pessoas envolvidas.

“O processo todo começou informalmente. Não tínhamos muita noção do que estávamos de fato fazendo, era tudo muito novo”, conta o físico Hartmut Richard Glaser, coordenador da Rede ANSP entre 1996 e 2002 e atual secretário-executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), órgão multissetorial criado em 1995, responsável pelas diretrizes estratégicas relativas ao uso e desenvolvimento da internet no país.

A rede articulada pela FAPESP foi a primeira da América Latina, afirma Getschko. Também foi a primeira do Brasil a assegurar comunicação via correio eletrônico e acesso a bases de dados nacionais e internacionais. Além da prestação de serviços à comunidade acadêmica, a Rede ANSP ajudou a edificar os pilares que sustentariam, mais tarde, programas de pesquisa como o Genoma-FAPESP, arquitetado para funcionar como consórcio de institutos virtuais. O projeto pioneiro, que em 1997 deu nascimento ao programa, foi o do sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, causadora do amarelinho, uma doença que ataca laranjais. O feito foi capa da revista Nature em 13 de julho de 2000.

Além da Bitnet, a Rede ANSP também se conectou a outra rede internacional, a High Energy Physics Network (Hepnet), pela mesma linha estabelecida com o Fermilab. “A Hepnet se baseava em um protocolo de comunicação que agregava instituições de ensino e pesquisa de física de altas energias”, explica Getschko.

A rede nacional em 1991

A rede de linhas privadas da internet se estruturava em paralelo à manutenção de conexões da Bitnet, da Hepnet e de uma parcela de acessos discados

Fonte: RNP

Com a Bitnet e a Hepnet, a rede acadêmica crescia e instituições de outros estados entravam no circuito via FAPESP, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em São Paulo, assistiu-se a uma ampliação das colaborações científicas e dos convênios internacionais firmados entre a FAPESP e agências de outros países. “Naquela época, a National Science Foundation [NSF, principal agência de fomento à ciência básica dos Estados Unidos] realizava uma avaliação dos órgãos de fomento da América Latina e elogiou as formas de atuação e funcionamento da FAPESP”, escreveu Nagamini.

Evidentemente que a rede não atendia exclusivamente a fins acadêmicos. Assim como hoje em dia nas mídias sociais, os usuários da Bitnet dedicavam um tempinho para o entretenimento. “Participávamos de inúmeras listas de e-mail dedicadas a discussões científicas em várias áreas do conhecimento, mas não apenas a isso. Também havia fóruns para compartilhar piadas”, recorda Getschko, que chegou a criar um fórum dedicado à ópera, uma de suas paixões.

“Também me lembro de uma lista de e-mails chamada Brasnet, na qual brasileiros vivendo fora do país trocavam dicas de como se virar no exterior. Um dos usuários ficou conhecido por publicar narrações de festa junina para que os compatriotas matassem a saudade. Era muito divertido.” Getschko salienta que, à época, só era possível enviar e receber mensagens de texto — e numa velocidade bastante lenta. “A conversa em ‘tempo real’ só seria possível mais tarde, com a internet.”

O salto para a internet

Os serviços de correio eletrônico proporcionados pela Bitnet e pela Hepnet logo se mostraram insuficientes para atender novas demandas dos pesquisadores. “As necessidades passavam pelo acesso remoto interativo e a transferência mais abrangente de arquivos, funcionalidades que já estavam disponíveis na internet”, escreveram Marcelo Sávio Carvalho e Henrique Luiz Cukierman em artigo publicado em 2004 nos Anais do XI Encontro Regional de História da Associação Nacional de História (ANPUH), no Rio de Janeiro. De acordo com os autores, o primeiro acesso à internet no Brasil ocorreu em fevereiro de 1991, quando a FAPESP aumentou sua capacidade de conexão com o Fermilab — de 4.800 bites por segundo (bps) para 9.600 bps.

“A chegada da internet não foi propriamente uma surpresa”, avalia Getschko. “Ela estava crescendo nos Estados Unidos e, nesse sentido, a gente se organizou para recebê-la aqui.” Como o Fermilab resolveu entrar nessa rede sem desligar a conexão Bitnet, a FAPESP, por meio da Rede ANSP, decidiu fazer o mesmo.

Até que chegasse à FAPESP, a internet acumulou décadas de desenvolvimento. Seu embrião surgiu em 1969, durante a Guerra Fria, resultado de um projeto financiado pela Agência de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Inicialmente batizada de Advanced Research Projects Agency (ARPAnet), a rede servia para conectar computadores do governo estadunidense e proteger dados estratégicos. É apenas na década de 1980 que a tecnologia se expande e recebe o nome de internet.

Em 1989, o físico britânico Tim Berners-Lee, então pesquisador da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), na Suíça, criou a World Wide Web (www), criando condições para massificar o uso da internet e transformar as relações humanas. “Até aquele momento a internet funcionava de forma muito diferente, com recursos mais limitados. Servia basicamente para trocar informações entre pesquisadores de vários campos do conhecimento. Não havia sites, ferramentas de busca nem mídias sociais”, explica Glaser. Mesmo assim, a conexão via internet era um avanço em relação à Bitnet.

A equipe de Getschko no CPD começou a se preparar para essa transição em 1990. O primeiro passo foi enviar o engenheiro Alberto Gomide, analista de sistemas da Rede ANSP, ao Fermilab, em Illinois, nos Estados Unidos, a fim de conhecer a sucessora da Bitnet. Os técnicos do laboratório americano explicaram que migrariam para a internet usando o Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP). “Trata-se da principal linguagem usada pela internet. Para recebê-la no Brasil, era necessário usar um software chamado Multinet, que prontamente foi instalado no computador central da FAPESP”, diz Getschko.

Em 6 de fevereiro de 1991, finalmente foi possível fazer o acesso à internet a partir da sede da FAPESP, em São Paulo. No mesmo dia, Gomide enviou um e-mail para agradecer o pessoal do Fermilab. “Fico feliz em anunciar que o link FAPESP-Fermilab está pronto para operar, executando TCP/IP”, escreveu o engenheiro na mensagem. “Desejo tudo de melhor aos parceiros nessa nova rede.”

Bibliotecas conectadas

Com velocidade maior do que a Bitnet e a conquista do domínio .br, que identifica o código do país nos endereços da web e dos e-mails, a comunidade científica brasileira entrou em outro patamar, afirma a bibliotecária Rosaly Favero Krzyzanowski, assessora do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP. No início dos anos 1990, ela integrava o conselho técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi-USP) e acompanhou a chegada da internet na universidade.

“A principal mudança foi a informatização do acesso aos acervos das bibliotecas centrais da USP, da Unicamp da Unesp”, sublinha Krzyzanowski. “Antes da internet, um pesquisador que estivesse em Campinas, e quisesse consultar o acervo da USP, precisava viajar até São Paulo”, diz. “A partir de 1994, as bibliotecas dessas instituições foram conectadas à internet. O pesquisador de Campinas poderia, finalmente, consultar o acervo da USP e da Unesp de dentro da biblioteca central da Unicamp. Caso quisesse um livro, fazia a reserva on-line e, em poucos dias, o exemplar da USP ou da Unesp era enviado para a Unicamp.”

Na avaliação de Krzyzanowski, a informatização das bibliotecas, junto com o acesso à internet, trouxe agilidade à pesquisa e impulsionou novas parcerias entre cientistas de diferentes instituições. No início dos anos 2000, o catálogo geral da biblioteca da USP, batizado de Dedalus, iniciou o processo de digitalização de teses e dissertações, um movimento seguido por outras universidades de São Paulo e de outros estados.

“Na mesma época, a FAPESP lançou o Programa Biblioteca Eletrônica [ProBE], em convênio com as três universidades estaduais de São Paulo”, informa Krzyzanowski. Por meio do ProBE, as instituições passaram a ter acesso a publicações científicas internacionais, ampliando as possibilidades de interação com grupos de pesquisa estrangeiros. “O programa permitia a consulta pela internet a periódicos científicos, especialmente aqueles indexados à base de dados Web of Science, usando recursos da Rede ANSP”, esclarece Krzyzanowski.

Os antigos fichários do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi-USP), aqui na imagem de 1973…
Jorge Maruta

No início, o serviço foi disponibilizado a oito universidades públicas sediadas no estado de São Paulo. Em pouco tempo, expandiu-se para 32 instituições de ensino e pesquisa paulistas. O ProBE foi encerrado em 2003, após ser incorporado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a criação do Portal de Periódicos, de abrangência nacional. “Ajudei a Capes a implantar o modelo do ProBE nas negociações com editoras cientí­ficas.” Nas últimas décadas, o Portal de Periódicos da Capes contribuiu para que pesquisadores de todo o país tivessem acesso amplo a milhões de artigos e a outros documentos científicos, conectando os brasileiros ao estado da arte da literatura acadêmica.

Em 2003, a FAPESP colocou em prática um reordenamento administrativo, a fim de tornar mais ágil e eficiente o atendimento aos pesquisadores beneficiados pela agência. Foi iniciada a informatização de sua gestão de programas e processos, com o desenvolvimento do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), em parceria com o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar). O cientista da computação paraibano Silvio Meira, fundador do Cesar, foi o principal desenvolvedor do SAGe, que começou a funcionar em 2005. “Esse sistema informatizou procedimentos de apresentação, análise e julgamento de propostas de financiamento, gestão de contratos, acompanhamento e avaliação dos programas da FAPESP”, explica Meira.

…, deram lugar aos computadores, à expansão e modernização dos acervos, como na FAU ou na biblioteca central da USP-Ribeirão Preto, em 2000
Jorge Maruta e Marcos Santos / USP

O Cesar deu apoio técnico ao SAGe até 2009, quando a equipe da FAPESP assumiu totalmente a operação do sistema. Meira foi convidado para comandar o projeto de desenvolvimento do SAGe pelo linguista Carlos Vogt, presidente da FAPESP entre 2002 e 2007. “Vogt soube que eu havia informatizado, com êxito, todo o sistema do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico [PADCT] e quis fazer o mesmo em São Paulo”, conta Meira, que à época viajou aos Estados Unidos, a convite do Banco Mundial, para apresentar à NSF o modelo computacional criado por ele. “O que havíamos feito no Brasil era inédito no mundo. As agências de fomento norte-americanas ainda não haviam informatizado seus processos de gestão.”

O principal motivo que impulsionou esse pioneirismo no Brasil foi a hiperinflação dos anos 1990, diz Meira. “O PADCT era financiado pelo Banco Mundial, que enfrentava dificuldades para acompanhar a prestação de contas do programa, então feita no papel, devido à alta contínua e generalizada dos preços no país. Por conta disso, a instituição pressionou a coordenação do PADCT a informatizar seu sistema operacional.”

A experiência acumulada por Meira entre 1998 e 2001, desenhando e implantando o sistema do PADCT, foi determinante para desenvolver o software da FAPESP. No total, a construção do SAGe mobilizou 45 profissionais do Cesar, em Recife, e resultou em mais de 1,6 milhão de linhas de códigos, todos escritos na linguagem computacional Java. Com essa expertise, os programadores do Cesar montaram a Pitang, uma startup que até hoje desenvolve softwares de gestão. “O modelo do SAGe foi aperfeiçoado ao longo dos anos e outras instituições passaram a adotá-lo, entre elas o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação [Cenpes] da Petrobras”, comenta Meira.

Àquela altura — fim dos anos 1990 e início dos 2000 — a internet comercial já era uma realidade no país. Grandes portais de notícias, como UOL, IG e BOL, ganhavam força e os provedores permitiam conexões discadas de TCP/IP aos usuários. Os microcomputadores começavam a se popularizar. O CGI.br elaborava diretrizes e políticas desde 1994 e a Embratel já havia experimentado o Serviço de Internet Comercial. “De lá para cá a coisa saiu de controle, no sentido de que poucas empresas, como Facebook e Google, modulam o comportamento das pessoas, oferecendo conteúdos específicos e criando bolhas digitais”, reflete Getschko. “Não podemos perder de vista o espírito revolucionário da internet, que é promover e ampliar o acesso ao conhecimento, de forma ampla, democrática e transparente.”